Ecossistema de Startups O que é equity crowdfunding?

O que é equity crowdfunding?

Nos últimos anos, o crowdfunding (ou custeamento coletivo) se espalhou rapidamente pelo mundo como uma maneira alternativa de financiar projetos de todo tipo. Nele, os investidores de um projeto recebem uma recompensa ou brinde que varia de acordo com o valor investido — geralmente o próprio produto financiado ou uma amostra exclusiva. Essa modalidade de subvenção agregada, que tem a cara da era da internet, tem ajudado a tirar do papel projetos dos mais variados, de livros e discos a aplicativos revolucionários.

Em 2014, quando começamos, fomos os primeiros a trazer o equity crowdfunding ao Brasil. Na época, encontramos um mercado ainda em fase embrionária – enquanto hoje existem 16 plataformas no país. Ao longo desses anos de jornada, um dos maiores desafios certamente foi mostrar que o que fazemos é diferente do crowdfunding convencional (a tradicional “vaquinha online”). Por mais que os nomes sejam parecidos, enquanto no crowdfunding convencional projetos são financiados por apoiadores em forma de doação – ou, em alguns casos, em troca de recompensas e brindes -, no equity crowdfunding o apoiador assume o papel de investidor, adquire um “pedaço” de uma startup que ele acredita e tem a possibilidade de participar ativamente da jornada empreendedora desse negócio. 

O equity crowdfunding tem a capacidade de impulsionar um empreendedorismo democrático, e possibilita que milhares de pessoas se tornem empreendedoras sem ter a necessidade de criar uma empresa do zero:

“Como pequena investidora de startups no Kria, deixo aqui o meu relato do quanto é gratificante poder ajudar financeiramente a empreendedores a seguir com seus negócios,  e também dizer que acompanhar a evolução das Startups tem me proporcionado um grande aprendizado como profissional e mentora de negócios” Sandra, investidora de nossa comunidade.  

Como funciona o equity crowdfunding

O equity crowdfunding acontece através de rodadas de investimento feitas 100% online. Trata-se de uma modalidade de investimento colaborativo que possibilita que um conjunto de pessoas invistam em empresas em troca de participação nelas (o “famoso” equity). Isso pode acontecer através de diferentes modelos de rodadas: dívida pura, participação direta ou título de dívida conversível. 

Na participação direta, como o nome já indica, os investidores adquirem uma porcentagem da empresa a partir do encerramento da captação, tornando-se então acionistas do negócio. Já no modelo de título de dívida conversível, o investidor não é obrigado a se tornar acionista da startup. De maneira resumida, em um primeiro momento ele torna-se um credor da empresa, e após o vencimento desse título (o que varia de acordo com os termos estipulados pela empresa emissora), ele tem a opção de converter esse crédito em participação direta na empresa, passando de credor para acionista (clique aqui caso queira entender melhor). Por fim, também existe o modelo de dívida pura, no qual o investidor se torna um credor da empresa – sem a opção de se tornar acionista. 

Antes de abrir uma captação, a empresa escolhe os termos de sua oferta (quantos % da organização irá oferecer, investimento mínimo, data de vencimento, meta de captação, etc.), e em seguida, abre sua rodada de investimento. Depois disso, ela tem 6 meses para atingir ⅔ de sua meta – caso contrário, todo o dinheiro é devolvido aos investidores. 

Mas como eu posso ganhar dinheiro com isso?

Existem diversas possibilidades. Um investidor pode lucrar com a abertura do capital da empresa investida para negociação na Bolsa de Valores (IPO), em uma futura aquisição do negócio por uma companhia maior (com consequente valorização de suas ações) ou com a venda do seu título de dívida conversível (caso a rodada tenha sido feita nesse modelo).

Se o investidor tiver adquirido um título de dívida conversível, além da opção de converter o título em ações da startup investida, ele também pode lucrar através do recebimento de dividendos baseados em uma taxa de juros ao ano que o título oferece até a sua data de vencimento – mas nesse caso, se essa for a escolha do credor, ele não se tornará acionista da empresa. Entretanto, ao investir em startups, é importante que o investidor saiba que existe o risco de perder todo o capital investido, e a ideia é que ele não receba seu dinheiro com os juros, e sim com a valorização da sua participação acionária (caso queira saber mais sobre os possíveis retornos, clique aqui). 

Novos tempos, novas legislações

Nos Estados Unidos, onde a prática já está mais sedimentada, a tendência ficou marcada pela aprovação da Jobs Act, em 2012, que criou a base regulatória para a modalidade. Depois disso, em 2016, a SEC – órgão do governo norte-americano que controla as regras do mercado de capitais no país – elaborou sua mais nova regulação (que vale até os dias de hoje), permitindo que empresas captem até U$1 milhão em um prazo de um ano.

Aqui no Brasil, em Julho de 2017, através da Instrução 588, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) regulamentou a operação de plataformas de investimento colaborativo para a realização de ofertas públicas através da internet. A lei permite que empresas com faturamento anual de até R$10 milhões captem investimentos de até R$5 milhões em um período de até 6 meses, com no mínimo 120 dias de intervalo entre cada captação.

Como funciona no Kria?

Com o objetivo de democratizar ao máximo os investimentos em startups, o aporte mínimo para rodadas feitas com o Kria é de apenas R$500. Recebemos diversas aplicações de empresas interessadas em captar investimentos, e através de uma curadoria extremamente seletiva, escolhemos aquelas que julgamos mais atrativas e compatíveis com os interesses da nossa comunidade de investidores. Depois disso, os termos da oferta são elaborados pela empresa, e então são analisados pela nossa equipe antes da abertura da rodada – visando sempre oferecer boas oportunidades à nossa rede. 

O equity crowdfunding vale a pena?

Para os investidores, investir em startups é uma oportunidade de diversificar aplicações apostando em algo totalmente inovador, sendo uma boa alternativa de investimento de longo prazo para pessoas com perfil empreendedor mais agressivo.

Trata-se de um investimento de alto risco, portanto é preciso entender os principais termos envolvidos na gestão de um portfólio de startups antes de sair realizando vários investimentos por impulso (clique aqui caso queira saber mais sobre gestão de portfólio). Investir em startups pode ser desafiador, e por isso muitas pessoas acabam optando por produtos financeiros conhecidos com menor risco – e, consequentemente, menor retorno. Mas por aqui, costumamos dizer que risco mesmo é permanecer estagnado em uma zona de conforto. 

No ponto de vista das startups, elas só têm a ganhar com uma modalidade de investimento colaborativo como o equity crowdfunding. Além de conseguir inserir-se em um modelo de investimento voltado especialmente para elas, uma rodada bem sucedida pode ser responsável por tirar projetos do papel, trazer visibilidade para a empresa, construir e lapidar uma comunidade de entusiastas em torno da organização e, na somatória de todos esses fatores, alavancar o negócio. Através de uma rede de equity crowdfunding, os empreendedores terão a oportunidade de conhecer investidores com experiência em seu mercado de atuação, que poderão se juntar à sua jornada empreendedora e contribuir para a prosperidade de sua startup.

Quer saber mais sobre o equity crowdfunding? Inscreva-se no Kria

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