Investidor Quem investe: Marcio Castro

Quem investe: Marcio Castro

Conheça um de nossos principais acionistas, o CIO do Banco J.Safra e investidor de startups com 14 empresas no portfólio

Um de nossos principais acionistas (do próprio Kria!), Marcio Castro é Chief Information Officer do Banco J.Safra e investidor de startups com amplo background em tecnologia — tendo construído uma carreira de mais de 20 anos no mercado de capitais.

Descontraído e sempre com um sorriso no rosto, Marcio compartilhou conosco sua trajetória, a inserção no mercado de startups e o motivo pelo qual optou por investir em startups com o Kria.

Conheça o Marcio Castro!

Para começarmos, conte-nos sobre você: desde sua trajetória de executivo até investidor do mercado de startups.

Minha atuação sempre esteve voltada para área de tecnologia. Desde 99, trabalhei com tecnologia mais aplicada ao mercado financeiro, especificamente para o mercado de capitais — comecei na BM&F (que então virou BM&FBovespa) e, com o passar do tempo, a minha carreira me levou para Cetip, que posteriormente foi comprada pela BM&FBovespa e virou a atual B3. Atualmente sou CIO no Banco J.Safra, onde ingressei para expandir meu contato com o mercado de bancos.

Com empreendedorismo, minha experiência começou em 2011/2012, quando fundei duas startups, nas áreas de tecnologia e construção de games, mas suas falências me fizeram se afastar do mercado.

Em 2015, durante minha atuação na Cetip me reaproximei do mercado de empreendedorismo: a Cetip, sentindo a necessidade de estar mais perto do mundo de startups, criou um programa de aceleração com a aceleradora Darwin. Esse programa tinha alguns objetivos, entre eles: aceleração de startups early stage para que fossem fornecedoras ou adquiridas pela própria empresa mas também tinha a missão de fomentar inovação dentro da empresa.

Me tornei mentor de algumas startups por conta do programa e fiz minha equipe acessar as startups pra aprender muito sobre as novas tecnologias que não estavam em nosso radar e principalmente da vida e pegada de empreendedor.

Fizemos uma experiência de expor o mesmo problema para as duas equipes, a minha equipe e os empreendedores. A minha equipe realizou um orçamento de R$500 mil para realizar em 9 meses e o mesmo problema para os empreendedores poderia ser solucionado em 2 meses com R$40 mil reais. Testamos e deu certo. Isso foi um tapa na cara da nossa equipe, que parou para se perguntar: como a gente se perdeu? Na agilidade e no foco. A experiência foi ótima e fez repensarmos a nossa cultura interna e nos deu inúmeros acessos.

Ao mesmo tempo, as startups estavam em contato com pessoas experientes do mercado financeiro. Isso me despertou novamente o interesse e comecei a analisar oportunidades como investidor anjo.

O que te levou a investir em startups?

Tem várias coisas que me motivaram.

O primeiro foi a minha experiência de redescoberta do empreendedorismo. Essa situação veio combinada com um momento econômico que nos leva a buscar investimentos com um potencial de retorno maior. Mas não foi só isso, eu gosto muito de tecnologia. Estar próximo e investir em uma startup me anima muito também.

Quando entrei no Kria, comecei a investir em um série de startups com tickets menores e isso me abriu condições para investir em outras empresas. Hoje eu considero o Kria um ambiente seguro para se investir nas empresas que passaram pelo processo.

Como você construiu seu portfólio de investimentos em startups?

Eu construí uma tese de investimento ao longo dos últimos anos. Quando aparece uma startup no Kria, eu recorro diretamente a essa minha tese. Se for uma fintech, por exemplo, ela já me atrai naturalmente pois sou um profissional de tecnologia do mercado financeiro. Outro ponto é o impacto que elas podem gerar, tanto social como ambientalmente. Esse é um ponto muito importante e interessante pra mim e por isso fiz investimentos da Solar, Radix e Joaquina.

Hoje, tenho 14 empresas no portfólio, sendo 12 pelo Kria e 2 por investimentos por fora de qualquer site ou plataforma. Nunca optei por outras plataformas, já investi por um grupo de anjos que já estavam organizados e optei por entrar de forma mais independente.

Como você faz para avaliar esses negócios e diminuir o risco existente no portfólio?

Estou procurando desenvolver melhor sempre minhas avaliações tanto de entrada nos investimentos quanto o acompanhamento da performance deles.

Acredito que um ponto fundamental é o quanto aquele negócio pode escalar. Se eu vejo que a startup tem pouca intensidade e automação na captura de negócios, ficou pouco atraído pelo investimento por que a capacidade de escala é baixa. Além disso, costumo olhar as pessoas e os talentos que estão por trás do negócio bem como as tecnologias que estão sendo utilizadas, já que tenho background dessa área.

Outro ponto que venho observando e me desenvolvendo é o olhar para a modelagem do valuation, como o Kria vem fazendo nas últimas captações.

Mas também tenho critérios fundamentais para investir que são pouco ortodoxos. Sempre em uma oportunidade de investimento, eu observo quem são os sócios no Linkedin e peço a conexão para eles. A velocidade com que eles me aceitam ou interagem perguntando algo ou sugerindo uma conversa é fundamental. Caso não haja uma resposta, já fico com um pé atrás, pois talvez os empreendedores não estão totalmente ligados com um público que pode ser tanto cliente ou investidor. Esse é um critério não muito comum mas que eu considero.

Você comentou sobre mentorias que realiza para startups. De que forma você busca contribuir com as suas empresas investidas?

Procuro dar uma espécie de mentoria, ou “consultoria grátis”, em um momento em que a startup precisa de uma orientação. O papel como mentor é de dar um caminho possível para a startup mas, no final, os empreendedores devem usar isso agregando a um conjunto maior de pesquisas que eles fizeram, afinal eles são os executivos do negócio.

Delegar a tomada de decisão pro mentor, ou o mentor querer “pegar” o leme da gestão, impondo sua ideia…não funciona! Já fui assim, vivi essas situações e me eduquei para não ser mais.

Hoje eu contribuo com o meu conhecimento e quando eu não conheço determinado assunto, passo minhas impressões, alertando que não é meu skill principal. Na área que tenho mais conhecimento, que é de tecnologia e de capitais, dou meu parecer, apresento meus dados, minha visão de escala e fica a cargo do empreendedor fazer o sábio uso disso. Já dei sugestões que deram um super sucesso e sugestões que não foram acatadas e as empresas foram um sucesso também.

Do outro lado, o que você espera das empresas investidas?

O empreendedor precisa ter uma certa regularidade e disciplina para montar sua reputação e ser feliz em diversas outras rodadas que for fazer, apresentando o crescimento do seu growth, melhoria dos indicadores e o que você prometeu que ia entregar. Há startups que apresentam indicadores rigorosamente no intervalo de 3 meses e outras startups que desaparecem. Se você não vai atrás para entender como estão, cobrar informação, você não as tem e isso é muito ruim para a experiência do investidor.

O investidor não espera que a startup entre no breakeven no menor tempo possível, ele quer que ela cumpra o que prometeu naquele período, com o lançamento de determinado produto e crescimento.

O empreendedor precisa ter um cuidado com o investidor, demonstrar o que ele está fazendo e os indicadores pois as vezes ele está fazendo um trabalho bonito mas não aparece nada nas redes sociais que demonstre o growth dele, buscando novos negócios e novos produtos.

Qual conselho você dá para quem está começando a investir?

Acredito que os investidores precisam buscar em primeiro lugar, conhecimento. Antes de retornar a esse mercado, fiz alguns cursos interessantes com investidores anjos, participei de alguns meetups que são acessíveis de se participar, li muito e me eduquei bastante. Em segundo, procurei encontrar um ambiente seguro, como são os casos do Kria e do Basement, com uma boa respeitabilidade. Essas são condições fundamentais para meus investimentos. E o terceiro conselho: o sucesso do seu investimento será fruto da sua própria participação. Tendo a acompanhar mais de perto as empresas que eu investi, indo aos encontros regulares e quando vejo que falta a organização desses encontros, eu sugiro a realização e mais visibilidade.

É um ótimo momento para o compartilhamento de informações e indicar conexões. Para o Kria e para o Basement mesmo, minhas investidas, já gerei muitas conexões que acabaram em benefícios para um dos lados apresentados, assim, me vejo como um conector, fomentando negócios. Além disso, busco apresentar para clientes, divulgar em rede social e fazer depoimentos. Se você tiver próximo do seu investimento, mais chance dele trazer resultado, por que você usa a sua rede e isso pode fomentar clientes e trazer novos investidores.

Concluindo, vejo em ordem que as dicas são: educação, ambiente seguro e estar próximo dos investimentos.

*Marcio Castro é acionista da empresa Arco, detentora do Kria e Basement.

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