Ecossistema de Startups Investimento de impacto não é para todos?

Investimento de impacto não é para todos?

No último mês, tivemos importantes eventos agitando o ecossistema de impacto socioambiental brazuca. Entre eles, destaque para o Capitalismo Consciente Latin-American Conference e o lançamento do 2º Mapa de Negócios de Impacto Social + Ambiental. O mapeamento foi liderado pela Pipe Social, e ilustra o desenvolvimento desse tipo de negócio no país. Segundo o estudo, o número de empresas de impacto socioambiental positivo aumentou de 579 para 1002 de 2017 para 2019. Em tempos de Bettina, refletimos sobre as diferentes formas de se relacionar com o dinheiro. De um lado, o capital como propósito. Do outro, o capital atrelado ao propósito. É fato que as startups de impacto chegaram para ficar, porém o desafio de provar que elas também conseguem ser sustentáveis financeiramente  (ou melhor, lucrativas) ainda não acabou.

Capitalismo Consciente Latin-American Conference

Segundo o levantamento, o principal desafio dos empreendedores sociais hoje está relacionado a dinheiro. Entre os que que participaram do mapeamento, 8 a cada 10 estão na busca por capital, e cerca de dois terços miram aportes de até R$500 mil – investimento considerado baixo. Mas dinheiro não é a única demanda dos empreendedores de impacto. Depois do capital, os “pedidos de ajuda” mais urgentes foram, em ordem, mentoria, comunicação e parcerias/networking. O que poucos sabem, entretanto, é que a solução para essas necessidades pode estar na construção de uma rede forte e participativa, e é por isso que os empreendedores deveriam olhar com mais atenção para o equity crowdfunding.

Na “era do impacto”, trilhar um caminho solitário sem bons apoiadores torna tudo mais complicado, mas contar com parceiros que também acreditam no negócio – e na causa defendida por ele – faz com que diversas portas se abram. Uma comunidade consistente e integrada formada por investidores que acreditam no sucesso da startup é capaz de agregar muito mais do que dinheiro, e pode ser a chave para alavancar o negócio.

“Uma vez que você tem uma comunidade investindo, você também tem essa comunidade querendo que o negócio dê certo, e esse propósito é muito rico para o investidor, pois ele vai ter certeza que aquele negócio vai ter mais chance de florescer na economia compartilhada. Você tem pessoas que estão investindo e ao mesmo tempo dando opiniões, consumindo da empresa que está empreendendo e criando seu produto. É um propósito que está na raiz do mercado de capitais, mas que muita gente perdeu no meio do caminho”

Marcio Castro, CIO do Banco Safra e investidor do Kria.

Existem diversos exemplos bem sucedidos de empreendedores que fizeram uso do equity crowdfunding para alavancar seus negócios. Um dos casos mais notáveis ocorreu em 2016, e se deu através da plataforma WeFunder – referência global nessa modalidade de investimento. A startup Beta Bionics, uma B corp que desenvolveu uma espécie de pâncreas biônico para diabéticos, captou U$1 milhão de forma 100% online em uma rodada que teve uma média de investimento de U$1.300. Ao todo, 775 pessoas acreditaram na oportunidade e decidiram entrar na rodada. O caso foi um divisor de águas para o mercado, pois foi uma das primeiras startups da terra do Tio Sam a fazer uso da até então nova regulação da SEC (proporcional à CVM dos norte americanos), o que encorajou novos empreendedores a olharem para o crowdfunding como forma de lapidar suas comunidades.

Mas a história da Beta Bionics não parou por aí. Para completar, dois anos depois, ela recebeu U$67.6 milhões em uma rodada de Series B liderada por um fundo de investimento norte americano que possui uma tese de investimento voltada para soluções capazes de gerar impacto na área da saúde. A captação também contou com aportes de organizações como a Novo Nordisk – multinacional dinamarquesa que por acaso é a maior produtora de insulina do mundo! Por aqui, o empreendedorismo de impacto está ganhando maturidade aos poucos, e sorrateiramente desvenda os desdobramentos de uma construção em rede.

“Sempre há outras pessoas e outros negócios que podem compartilhar o que sabem para te ajudar. Não pense que você é o único que acredita nos negócios como uma força para o bem”

Alexander McCobin, CEO do Capitalismo Consciente.

Aqui no Kria, possibilitamos que algumas startups de impacto construam e lapidem suas próprias comunidades por meio do equity crowdfunding. Nosso portfólio é composto por empresas de diferentes mercados, como Programa Vivenda – que recentemente foi destaque na Veja SP -, Radix Florestal, Joaquina Brasil, Solar21, entre outras. O fato é que, quando uma empresa capaz de transformar realidades sociais e ambientais abre uma rodada de captação com um investimento mínimo acessível, ela atrai aportes de entusiastas que equilibram o potencial de retorno financeiro com a compatibilidade de valores, o que acaba gerando um vínculo emocional com a marca.

Já empreendi em algumas ocasiões e busco aqui no KRIA opções que conciliam boa rentabilidade e estejam de acordo com meus princípios e valores. Ou seja, desejo ganhos, obviamente. Mas prefiro consegui-los de iniciativas nas quais acredito, razão pela qual o fiz com vocês. Gostaria de parabenizá-los pela iniciativa e salientar que quero ser mais uma voz a favor de investimentos sustentáveis / conscientes”

Mauro, investidor da Radix.

A ideia de que impacto socioambiental e dinheiro caminham em direções contrárias precisa ficar no passado. De acordo com pesquisa da Ande Brasil, os negócios de impacto socioambiental movimentam cerca de U$60 bilhões no mundo, com crescimento de 7% ao ano. Já no ano passado, com a venda da empresa TEM pela Vox Capital – fundo especializado em investimentos de impacto que possuía aproximadamente 30% da empresa -, o Brasil teve seu primeiro retorno em investimentos de impacto, simbolizando o que pode ser o início a uma nova era. Agora, resta saber se o público terá boas oportunidades de participar (ou melhor, investir) nessa nova onda.

Se você está empreendendo em um negócio de alto potencial de retorno – financeiro e social – fica o convite para conhecer mais do equity crowdfunding e a possibilidade de captar investimentos com pessoas que compartilham de sua visão de mundo.

*Na foto de capa: Ed Damiano, presidente e CEO da Beta Bionics, que pesquisou tecnologias de controle de glicose no sangue desde que seu filho David, também na foto, desenvolveu diabetes tipo 1 aos 11 meses de idade.

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