Ecossistema de Startups A força das comunidades nas Fintechs

A força das comunidades nas Fintechs

A apresentação da Apple nessa segunda-feira deu o que falar, com um novo posicionamento da gigante na frente de serviços e o anúncio do Apple Card, cartão de crédito com Cash Back, sem taxas e claro, com o minimalismo típico dos iProdutos. 

Essa movimentação da Apple para se consolidar como uma fintech acontece em um momento em que inovações no mercado financeiro estão em alta por todo o mundo, com empresas atraindo milhões de fãs e altos investimentos: segundo a KPMG Global, no ano passado as fintechs bateram recorde em investimentos — foram U$111.8 Bi investidos, crescimento de 120% em comparação a 2017. 

Nesse mercado cada vez mais competitivo, construção de comunidade tem se mostrado uma forte estratégia de crescimento. Por isso, empresas com fácil acesso a capital institucional estão reservando parte de suas rodadas para suas próprias comunidades, trazendo o público para dentro de suas revoluções financeiras

Nas terras da rainha Elizabeth, onde o crowdfunding é uma fonte de investimento considerada por 20% dos empreendedores (EY Fast Growth Tracker), unicórnios financeiros como Monzo nos provam que isso serve até para os negócios mais queridinhos.

🦄 Monzo: £20M por 36 mil investidores!

Monzo é um banco digital Londrino que tem mais de um milhão de usuários.

Monzo é um banco digital que se apresenta como o banco do futuro, com soluções na palma da mão (literalmente) para gerenciamento de contas correntes e pagamentos. A fintech londrina já tem mais de um milhão de usuários e 15% de participação em abertura de contas correntes a cada semana nos U.K. Na construção do negócio, o envolvimento da rede é alto: até o nome foi escolhido pela comunidade, em uma votação de Mondo vs. Monzo.

“Nossa comunidade é o coração e alma de tudo o que fazemos. Junte-se a nós e ajude a construir o banco com o qual você sempre sonhou.”

Além de contribuições com feedbacks e sugestões de produtos, participações em fóruns (mais de 41 mil usuários) e organização de encontros, os usuários são também donos do negócio: desde a fundação, em 2015, a Monzo já captou £211.7M em 10 rodadas — 4 das quais via equity crowdfunding. A estratégia da Monzo foi de misturar capital institucional com a entrada de milhares de investidores, genuinamente apaixonados pela empresa.

Fonte: Crunchbase/ Rodadas de captação da Monzo

Deu certo: em 2016, um ano após seu lançamento, a fintech realizou sua primeira oferta de crowdfunding e bateu o recorde de velocidade, captando £1 milhão em impressionantes 96 segundos. No ano passado, adquiriu o cobiçado título de unicórnio em uma rodada de £85 milhões e então abriu uma alocação de £20 milhões, focada em seus clientes e com investimentos indo de £10 a £2.000. 

Dessa última oferta, participaram 36.006 pessoas — investidores de rodadas anteriores, que tiveram dois dias de exclusividade e investiram £2 milhões, e novos investidores, que entraram com £18 milhões em apenas 2 horas e 45 minutos. Os investidores ganharam um cartão de débito especial e benefícios de comunidade como acesso a eventos exclusivos e relatórios de desempenho. 

Para um negócio que tem na propaganda boca a boca a sua principal fonte de crescimento (80%!), quanto mais embaixadores envolvidos, melhor. E com 28 mil novas contas abertas a cada semana, parece que a estratégia tem funcionado bem.

⚡As Fintechs brasileiras

Aqui no Brasil, o amor pelas fintechs é grande: segundo a consultoria EY, os brasileiros estão dentre os usuários mais intensivos de fintechs do mundo, atrás apenas da China, Índia e Reino Unido. 

E parece que há cada vez mais investidores interessados em financiar esses negócios em seus diferentes estágios — o que pode significar mais oportunidades de saídas através de eventos de liquidez atrelados a novas rodadas. Mas a exemplo da Apple, há também cada vez mais negócios competindo pelo mercado. Nesse cenário, a forma que as fintechs tratam suas redes pode ser determinante para seu sucesso.

Ainda que a legislação não permita que empresas levantem £20 milhões online (o limite é R$5 milhões, ou £1 milhão, anualmente), temos um grande espaço para as fintechs emergentes no crowdfunding — e quem souber como usar isso para seu negócio, pode sair na dianteira da corrida. 

“Foi o meu primeiro investimento”

“Primeiro, eu achei muito legal essa parte colaborativa. E eu pensei: ‘car****, eu quero participar disso!’. Eu vou por meu dinheirinho pra poder participar disso. E agora que eu sinto que eu tenho um pedacinho da Partyou, eu quero que dê certo.”
– Felipe Rocco, aluno de economia e investidor da PartYou, fintech focada em universitários que captou R$300 mil em 6 horas.

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